Logo quando cheguei aqui, há uns 6 anos, um dos primeiros substacks que encontrei foi o Noted da Jillian Hess, e que permanece um dos meus preferidos até hoje. Nele, ela expõe os cadernos de anotações de diferentes personalidades. Ela frequenta os mais diversos acervos, fotografa essas anotações tão preciosas das mentes de pessoas que consideramos brilhantes e faz um compilado incrível acerca dessas notas de artistas, intelectuais, músicos - you name it!
Quando eu a encontrei, eu estava terminando o doutorado. Sua página fazia meus olhos brilharem e meu coração saltar. A quantidade de coisas que ela me apresentava era um mundo muito maior do que jamais imaginei que teria acesso. Lembro da emoção que foi, enquanto aluna de doutorado, ter acesso à documentações variadas que passaram pelas mãos de arquitetos, artistas e pessoas que eu estava pesquisando. Meu coração vibrou só de ver um cartão de Alexander Calder e ver a forma como ele se expressava num simples pedaço de papel destinado à uma amiga, neste caso a brasileira Lota de Macedo Soares. Algumas pessoas simplesmente não entendiam a minha alegria. Confesso que, sem querer, um dia dei um gritinho de alegria no MoMA ao me deparar com uma carta não catalogada.
Quando a escritora Natália Timerman foi entrevistada no videocast Em Casa, ela ressaltou que não teremos mais notas, ou acervos para pesquisar. Afinal, as cartas de outrora já não existem mais. Ela ainda brinca que nos lugares das cartas teríamos o quê para guardar? Conversas de WhatsApp? Mas, no meu coração otimista, eu ainda tenho uma fagulha de esperança que os cadernos de anotações estarão em algum lugar esperando que alguma jovem pesquisadora - como eu fui um dia - os encontre em algum lugar.
Tem um momento da aula de Design Thinking, um dos meus preferidos, confesso, que é quando comentamos o Pensamento Visual - o uso do desenho como uma forma de expressar e aprimorar ideias.



